CNC: com cautela e crédito restritivo, setor de alimentos deve liderar vendas no comércio brasileiro durante a Copa do Mundo de 2026

Compartilhe:

Torneio de futebol que começa no dia 11 de junho deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, 6,5% a mais do que na última edição

Faltando 10 dias para o início da Copa do Mundo de Futebol Masculino, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o evento a ser realizado na América do Norte deverá gerar um impacto positivo de R$ 4,32 bilhões no faturamento do comércio varejista brasileiro.

O montante representa um aumento real de 6,5% em relação ao faturamento consolidado de quatro anos atrás, registrado na edição de 2022. O avanço total é impulsionado pelo maior dinamismo do mercado de trabalho e pela inflação menor, fatores que compensam o encarecimento do crédito que acabou por travar a tradicional corrida por novos televisores.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, destaca que o consumo associado ao lazer segue como importante motor das vendas em datas específicas do calendário.

“A cada quatro anos, a mobilização em torno do futebol impulsiona especialmente o comércio de eletroeletrônicos, ainda que o poder de compra do consumidor esteja abaixo do esperado. Essa relativa retração tem uma explicação direta: as severas condições de financiamento. Desde setembro de 2025, a economia brasileira enfrenta um dos mais intensos ciclos de aperto monetário dos últimos vinte anos, com juros básicos em patamar superior ao que seria adequado para estimular o crescimento”, afirma.

Diante do crédito mais caro, a tendência é que as vendas em determinados segmentos reajam de forma diferenciada, concentrando-se fortemente no consumo imediato de alimentos, bebidas e artigos de menor valor.

Expectativa por setor

A CNC detalha o seguinte desdobramento do faturamento extra de R$ 4,32 bilhões entre as principais atividades do varejo, com Hiper e Supermercados liderando a lista. O ramo de produtos alimentícios e bebidas deve responder por quase 70% das vendas, totalizando R$ 3,97 bilhões. Os impactos positivos coincidem com o mês do início do Mundial.

Na sequência, Vestuário e Acessórios, segmento que deve alcançar o segundo maior impacto, com faturamento estimado em R$ 803,7 milhões. Depois, Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, com lojas especializadas, que incluem a venda de eletroeletrônicos menores e devem responder por R$ 262,6 milhões.

Por fim, Informática e Comunicação, com expectativa de movimentação de R$ 198,5 milhões e Móveis e Eletrodomésticos, com previsão de R$ 80,2 milhões. Diferentemente dos demais, o efeito líquido se dá de forma defasada, ocorrendo dois meses antes para móveis e um mês antes para eletrodomésticos.

Pesquisa, mas não compra

Segundo levantamento realizado pela CNC com base no Google Trends, houve aumento pontual de 8,4% na procura por Smart TVs em lojas on-line no mês de maio, na comparação com o mês imediatamente anterior. Apesar dessa reação com a proximidade do evento, a busca por esse produto segue 15,6% abaixo daquela verificada às vésperas da Copa de 2022, ficando também aquém dos patamares observados nos anos de 2014 e 2018.

Um paradoxo econômico marcará o comportamento de compra dos brasileiros para este torneio. De acordo com o IPCA-15, houve queda de 18,9% no preço médio dos televisores entre o Mundial de 2022 e o deste ano. Apesar disso, o barateamento não tem sido suficiente para estimular a aquisição ou a troca de aparelhos por parte dos consumidores no varejo.

O otimismo moderado da CNC para o varejo geral apoia-se em alguns outros números importantes que a PNAD Contínua do IBGE nos mostra: entre o segundo trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação no País recuou substancialmente de 9,3% para 6,1%, enquanto a massa de rendimento médio real avançou 28,8%. Isso e uma inflação menor do que o esperado são um bom sinal para o varejo, compensando essas taxas de juros excessivas”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.

Mesmo com o início do processo de flexibilização, as barreiras atuais superam o cenário de quatro anos atrás. A taxa Selic atual, de 14,5% ao ano, segue significativamente acima daquela observada às vésperas do Mundial de 2022, que era de 12,75%. Além disso, o menor estímulo às compras a prazo se revela por meio da taxa média de juros das operações envolvendo crédito às pessoas físicas, que atualmente é superior a 61% ao ano. Em meados de 2022, essa mesma taxa média de juros se situava abaixo dos 50% ao ano.

Acesse o estudo completo aqui.

Leia mais

Rolar para cima